Pernambuco apresenta estratégia de Inteligência Artificial em produção durante o Gartner CIO 2026
A Inteligência Artificial vem deixando de ser apenas uma perspectiva de futuro para se tornar parte concreta das operações do setor público.
Estratégia estadual reúne governança, infraestrutura, agentes de IA e aplicações práticas no serviço público, com iniciativas que já apresentam resultados mensuráveis.
A Inteligência Artificial vem deixando de ser apenas uma perspectiva de futuro para se tornar parte concreta das operações do setor público. Um exemplo dessa transformação foi apresentado pelo Governo de Pernambuco durante o Gartner CIO & IT Executive Conference 2026, realizado entre os dias 21 e 23 de setembro, em São Paulo.
Durante o evento, o presidente da Agência Estadual de Tecnologia da Informação de Pernambuco (ATI-PE), Fred Vasconcelos, apresentou a estratégia adotada pelo Estado para transformar a Inteligência Artificial em capacidade efetiva para o serviço público.
Com o tema “Da estratégia à IA em produção: o modelo do Governo de Pernambuco para o serviço público”, a apresentação mostrou como o Estado vem estruturando o uso da tecnologia de maneira coordenada, segura e escalável, passando pela governança e regulamentação, infraestrutura tecnológica, gestão de dados, capacitação de servidores e articulação com instituições de ensino e pesquisa.
Pernambuco está entre os estados brasileiros que já contam com uma estratégia estadual de Inteligência Artificial publicada, reforçando o movimento de institucionalização da tecnologia dentro da administração pública.
Infraestrutura como base para a inovação
Um dos pilares apresentados durante o Gartner CIO 2026 foi a infraestrutura tecnológica que sustenta a estratégia.
Atualmente, o Estado conta com três data centers interligados, localizados na ATI-PE, na Secretaria da Fazenda e na Secretaria de Educação, além de uma estrutura voltada à orquestração de GPUs.
A ATI-PE também desenvolveu o IA+PE, uma solução própria direcionada aos servidores estaduais, e vem trabalhando com tecnologias como RAG (Retrieval-Augmented Generation) e agentes de Inteligência Artificial.
A estratégia inclui ainda parcerias com instituições como o Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a CESAR School e a Universidade de Pernambuco (UPE), aproximando governo, academia, pesquisa e inovação.
Inteligência Artificial aplicada às compras públicas
Entre os exemplos de aplicação prática apresentados está o uso de agentes de IA na análise de Estudos Técnicos Preliminares (ETPs) e Termos de Referência (TRs), documentos fundamentais para os processos de contratação pública.
Segundo os resultados apresentados, os testes já indicam uma redução de 40% no ciclo de análise e de 80% na etapa de leitura e conferência, com tempo médio de aproximadamente sete minutos por documento.
O caso demonstra como a adoção da Inteligência Artificial pode contribuir não apenas para automatizar atividades, mas também para tornar processos administrativos mais eficientes, liberando profissionais para atividades de maior valor estratégico.
IA em produção na Secretaria de Educação de Pernambuco
Outro destaque apresentado no evento foi a aplicação de Inteligência Artificial nas operações de tecnologia da Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE).
No mesmo painel, o gerente-geral de TIC da Secretaria de Educação, Luiz Felipe Cruz, apresentou o uso de IA nas Operações Inteligentes de TI, com tecnologias como HyperAgents e Autonomous.
As soluções acompanham continuamente o ambiente tecnológico, correlacionam informações, identificam padrões e apoiam a análise e a resposta a eventos. Todo o processo mantém a supervisão e a aprovação humana, combinando automação com governança operacional.
Os números apresentados demonstram a escala da iniciativa. Desde janeiro de 2026, aproximadamente 7,6 milhões de eventos foram analisados.
Desse total, cerca de 55 mil incidentes foram entregues aos responsáveis com identificação de causa provável e recomendação de ação. Além disso, mais de 13 mil respostas foram executadas após aprovação humana.
Outro resultado destacado foi a redução de 99% no ruído encaminhado aos especialistas, permitindo que as equipes concentrem sua atenção nos eventos realmente relevantes para a operação.
Da estratégia à operação
A participação de Pernambuco no Gartner CIO 2026 evidencia uma etapa importante da transformação digital do setor público: a passagem das diretrizes e experimentações para o uso efetivo da Inteligência Artificial em ambientes de produção.
Governança, infraestrutura, segurança, integração de dados, capacitação e supervisão humana aparecem como elementos centrais dessa jornada. Mais do que adotar novas ferramentas, o desafio está em criar condições para que a tecnologia gere eficiência, confiabilidade e resultados concretos para a gestão pública e, principalmente, para o cidadão.
Para a Central IT, iniciativas como essa também demonstram a importância de uma visão integrada entre tecnologia, automação, Inteligência Artificial e operações de TI. A evolução para ambientes cada vez mais inteligentes exige soluções capazes de transformar grandes volumes de dados e eventos em informações úteis, apoiar decisões e aumentar a eficiência operacional sem abrir mão da segurança, da governança e da participação humana.
O case apresentado por Pernambuco mostra que a Inteligência Artificial no setor público já está avançando da estratégia para a prática — e que os resultados dessa transformação começam a ser medidos em escala, velocidade e qualidade das operações.
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